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Os filhos não têm culpa

21 de outubro de 2019

Por Roberto Revelino Sene – Mestre em ciências sociais aplicadas, direito e cidadania.

 

É comum lermos matérias que fazem referência à geração millenium, a geração que nasceu após o ano 2000, a qual não conheceu de que forma era o mundo sem a internet, essa mesma geração recebeu a alcunha de geração nem, nem (nem estuda, nem trabalha).

 

Neste texto quero fazer uma análise diferente, não quero aqui falar sobre esta geração, seus problemas emocionais, suas perspectivas, seus desencontros profissionais, suas características éticas, mas quero falar da geração que fez a geração nem, nem, ou seja, os nascidos de 75 a 85, pois são estes os criadores desta geração, os que em grande parte construíram a forma de pensar e agir dos nossos jovens. Uma das maneiras de tentar entender a geração atual é analisar como era a geração anterior, quais seus medos, qual o ambiente histórico moldava sua forma de pensar e agir?

A geração de 80 foi marcada pela abertura política no Brasil, marcada também por profundas crises econômicas que levavam a uma vida de limitações financeiras, não é comum você perguntar para pessoas que viveram nessa época e eles, de imediato exaltarem, a simplicidade e as dificuldades que sofriam na época.

 

Sendo assim, acabamos por defender nossos filhos das possíveis dificuldades que sofremos em nossa infância. Iniciou-se uma fase de negociação e flexibilização de conceitos e paradigmas, que os quais eram encarados e cumpridos com normalidade por você.

 

Um exemplo disto é a idade que os filhos estão saindo da casa dos pais; estudos mostram que os jovens têm saído de casa cada vez mais tarde, não sendo raro encontrar pessoas com mais de 30 anos na casa. Na geração de 70 e 80, o sonho de independência e liberdade fazia com que o jovem saísse o mais rápido possível da casa dos pais, ou mesmo buscasse trabalho cedo para poder desfrutar de certa autonomia financeira, pois, para essa geração o orgulho era ter o dinheiro no final do mês que foi conquistado pelo fruto de seu trabalho e não do seu pai ou mãe, sendo assim era comum vender sorvete, lavar o carro do vizinho, cortar grama, oferecer pequenos trabalhos, tudo para conquistar nosso dinheiro. Esta geração foi para o mercado de trabalho desenvolvendo sua teia de crenças e inter-relacionamentos e criou a nova geração, privando dela as dificuldades que serviram como alavanca para você.

 

Temos que primeiro, reconhecer quais foram as heranças que esta geração herdou da nossa, e entender que a velocidade de informação não serve muitas das vezes para orientar, mas sim para dar insegurança, fazendo com que não consigam desenvolver um foco em suas atividades.

 

Diante deste desafio, temos que desenvolver formas de trabalhar com esta geração, que não aceita monotonia, que percebe falta de preparo, e não é qualquer informação que é novidade para ele.

 

Precisamos nos atentar nas escolas e ensinar nossos alunos a ousar, empreender, aprender a empreender, colocar este diferencial em sua vida, empreender em todas áreas, pessoal e profissional. Ensinar a ele o valor das coisas tanto material quanto imaterial, fazer vislumbrar horizontes que não foram observados por ele, ou mesmo, foram engolidos pela poeira de notícias e informações da rede.

 

Temos que mudar o conceito de MIMI que só reclama, para MIMI MIMIM MIMI da geração que especula, cria e é feliz.

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